Contradição.
Acho que coloco as pessoas confusas com as minhas mudanças repentinas e minhas idéias caóticas. Às vezes nem eu me entendo.
Hoje eu deixei meu ex marido confuso (mais uma vez). Acho que por isso nosso casamento não deu certo, rssss!
Almoçamos juntos e conversamos sobre os planos que cada um tem pra si na vida. Comecei a dizer que quero viajar mais, que desejo aliar minhas viagens à prática de esportes e que pretendo fazer um curso de escalada no CAP. Contei detalhes sobre o curso e mencionei que estava bastante animada com o fato de ter que acampar, pois parecia ser divertido além de uma maneira barata de se hospedar. Aventura!
Ele me olhou com uma cara muito séria e disse: “Puxa, olha como a vida é engraçada: quando éramos casados, você tinha horror a acampar. Agora você diz que está super a fim. Estranho, não? ”
Fiquei calada.
Meu primeiro impulso, foi o de começar a criticá-lo dizendo que era óbvio que eu NÃO queria acampar com ELE, pois provavelmente esta seria a experiência mais irritante e agonizante de minha vida, haja visto que ele não tem paciência com absolutamente nada e uma tendência a xingar, esbravejar, chutar e ser irônico com tudo e todos quando contrariado , além de dar às costas e tocar o foda-se quando a situação está mais difícil (este foi o meu motivo para a nossa separação).
Mas, me controlei. Dei um sorriso e disse: “De fato! Que bom que as coisas mudam, não é? Estou descobrindo que eu estava errada em muitas coisas. Fico feliz de descobrir isto antes de morrer. Devia ter ouvido você mais vezes.”
Não adiantou muito. Ele continuou em silêncio e pegou uma revista para ler.
Nesta hora, passou um gato lindo e deu aquela olhada!..”Droga! Por que os homens de meus sonhos só aparecem quando eu estou acompanhada…por ele ???”
Depois de passar looongos minutos olhando a Pedra Grande em silêncio, enquanto o prato principal não chegava, quase discutimos de novo, pois ele me perguntou se estava tudo bem no fato dele diminuir o valor da pensão, pois a situação financeira dele estava ruim (como sempre).
Respirei fundo. Novamente uma torrente de palavras rudes invadiram meus pensamentos: “Como sempre, né? Já experimentou levantar a bunda do sofá e parar de reclamar da vida, para ver se ganha mais dinheiro? Quando você vai parar de chupinhar seus pais? Nosso filho dá muitas despesas e você não espera que eu arque com elas sozinha, não é? Seu IDIOTA!!!!”
De novo, sorri docemente e disse um sonoro ” NÃO!” sem maiores argumentações.
Silêncio. Não adianta discutir. No fim, ele vai depositar em minha conta o valor que ele bem entender.
Fiz ele pagar a conta.
Quando estávamos indo embora, ele me fez sinal para parar num posto de gasolina. Desceu do carro enquanto o frentista abastecia e foi até o meu carro: “Você tem R$….para me dar ? Estou sem dinheiro. Aliás, este é o valor exato de sua parte na conta do restaurante.”
“FDP! MALDITO! DESGRAÇADO! BESTA VINGATIVA!” gritava em meus pensamentos.
Abri a carteira. Devia ter feito um sinalzinho com o dedo médio para ele e sair cantando pneu. MAS…Ele é pai do meu filho. Tenho que me dar bem com ele ao menos até o menino seguir seu próprio rumo.
No fim das contas, eu sei que ele não é má pessoa. Ele simplesmente não tem mais motivos para se importar comigo. E nem eu com ele.
Boa convivência é isso : exercício da paciência.